O jornalista e ex-repórter do portal LeoDias, Vinícius Lopes, que atuou na redação de Brasília, decidiu quebrar o silêncio e relatar publicamente sua experiência profissional no veículo, após a repercussão de uma denúncia feita pelo próprio Léo Dias sobre situações abusivas na redação de São Paulo. Na ocasião, o apresentador se mostrou indignado ao descobrir que seus funcionários estavam proibidos de esquentar comida para não deixar cheiro no ambiente.

A fala do comunicador, que classificou a situação como um “absurdo”, reacendeu discussões sobre o clima organizacional dentro das redações de jornalismo de celebridades — algo que, segundo Vinícius, ele próprio vivenciou de forma ainda mais intensa na capital federal.
“Na redação, a gente não podia nem comer uma fruta na mesa. Tinha que sair pra uma área externa, como se fosse algo errado se alimentar enquanto trabalha”, relata o jornalista. Segundo Vinícius, até os horários de alimentação eram rigidamente controlados. “Eu só podia almoçar depois das 14h30, quando acabava a reunião de pauta. Muitas vezes, ia almoçar às 15h da tarde porque ainda tinha que terminar uma certa demanda”, conta.
Mas, de acordo com o jornalista, o controle não parava por aí. O ambiente seria marcado por um constante clima de tensão e medo. “Quando alguém era demitido, a gestão fazia uma reunião pra dizer que fulano foi mandado embora e que, se as pessoas não andassem conforme a banda toca, poderiam ir pelo mesmo caminho. Isso criava um clima de terror constante na redação”, afirma Vinícius Lopes.
Ele também denuncia cobranças que, segundo ele, ultrapassavam qualquer limite razoável, especialmente para profissionais em início de carreira. “Cobravam que eu subisse um lead, um título, em cinco minutos. Quem tem muita experiência até consegue, mas pra quem tá começando, isso deveria ser parte de um processo de aprendizagem, não motivo pra gerar esse tipo de pressão absurda”, desabafa.
Apesar das críticas à cultura interna da empresa, Vinícius faz questão de reconhecer a postura recente de Léo Dias. “Deixo aqui minha admiração pelo Léo. Ao invés de ficar calado, ele teve coragem e expôs em rede nacional o absurdo que ele acha disso. E ambientes assim, de fato, são inadmissíveis”, pontua.
As denúncias levantam uma reflexão urgente: até que ponto os gestores estão cientes do que realmente acontece nas redações que levam seus nomes? E mais — por quanto tempo ainda se vai normalizar a cultura do excesso, da pressão e do medo como método de produtividade?




